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"Constitui a tarefa da arte a imitação não da natureza criada, mas da natureza que cria."  J.W.Goethe

Observação Gotheanistica

Estefanelli B.M. de Melo
8/12/17

Tomemos como exemplo as 3 simples perguntas e suas respostas; entre outras possíveis respostas para as 3 perguntas, sobre um tema muito simples:

1 - Como está o tempo?   Com sol, céu com poucas nuvens brancas, quase não tem vento.
2 - Como está a cor do céu, com este tempo?   Multicolorido; predominando laranja avermelhado, com veios lilases.
3 - Qual a sua impressão anímica neste horário, com este tempo? Recolhimento, melancolia, amplidão.


Se olharmos em 4 passos proposto por Goethe, estas perguntas e respostas se mesclam o tempo todo.

Mas na vida isso não acontece, temos uma tendência a olhar na vida, os eventos em separados, julgados pela simpatia e antipatia. E isso é o que acontece com as pessoas, cada uma com um olhar unilateral sobre o fenômeno.

Para Goethe: o olhar desmembrado levando em consideração os vários aspectos das percepções entre os corpos Físico, Etérico e Astral; para ao final acontecer uma síntese onde todas estas observações possam acontecer simultaneamente; pois ele percebeu que vivia muito em seu mundo interior. Resolveu, então, experimentar objetivamente seu olhar para os mundos externo e interno.
 No entanto, há pessoas que só vivem no mundo exterior a si próprias.

“O que pensas ser fácil é o que é difícil, é olhar e ver bem visto; o que está bem diante dos olhos”, Goethe

1º passo: olhar demoradamente para a obra sem fazer julgamento, sem usar conceitos pré-estabelecidos. Deixar o olhar fluir na obra de arte, respirando e inspirando suavemente e deixando a imagem interiorizar-se profundamente dentro do nosso coração.

Deixemos que aqui, no caso da Madona Sistina, o quadro nos provoque uma impressão.

O observador deve confiar nos seus sentidos, pois é ele que está observando. Para isso é preciso esquecer de si mesmo, fazendo uma observação a mais objetiva possível.
A decisão mais livre que podemos ter na vida é que podemos nos desenvolver, mudar algo em nós mesmos. Para isso, é importante criar um espaço na vida diária. Observar o mundo é o nome que podemos dar a esse primeiro passo.

Olhar o mundo externo e começar a conhecer-se a si próprio melhor.

Treinar ver o mundo físico real – o corpo físico – descrevendo a obra como se estivéssemos fazendo-o para um pintor cego, para que ele coloque na tela o primeiro esboço, as linhas mestras, os planos, o horizonte, enfim, as qualidades físicas, o contorno, a forma, linhas, onde há mais densidade da cor, muitas figuras (imagens) juntas ou isoladas.

2º passo: relacionar esse momento entre o olhar interior e o exterior, como se observássemos o corpo etérico. Assim, procuram-se equilíbrio, harmonia, simetria, fluidez das cores, percebendo se existe uma relação ou algo que liga o centro e a periferia; direita e esquerda; parte superior e inferior da obra. Pode-se ainda observar o espelhamento direito/esquerdo ou encima/embaixo. Verificar se há cores que respiram (cores claras), que trazem leveza a obra de arte, enfim se existem transição entre as cores (uma qualidade de integração, um fluir entre uma cor e outra)


3º passo: começar a sentir e perceber os gestos, por exemplo verificar no mundo das cores as polaridades entre amarelos e azuis; vermelhos e verdes, etc.

Observando os gestos das cores, pode-se dizer que esse é um gesto que vem em uma direção como, por exemplo, ao observador da obra, ou uma ligação entre os diferentes personagens da obra.
De repente passa-se a perceber essas relações, como os olhares no caso de pessoas representadas na obra. Algo começa a falar dentro do observador.

Esse é o passo do corpo astral, envolvendo gestos, sentimentos, movimentos como entre direita e esquerda, imagens, luz e sombra, uso intenso das cores, quantidade grande de cores diferentes ou as mesma cores aparecendo muitas vezes observar a composição, por exemplo, como os diversos componentes da imagem apresentam uma relação que mostra algo, eventualmente um drama.


4º Passo: fenômenos arquetípicos, lembranças, memórias passadas, constatações de inspirações verdadeiras, acontecem no observador como dádivas, inspirações, insights; começam-se a ver os fenômenos que acontecem na pintura e dentro do próprio observador se ele se deixar envolver com este olhar proposto por Goethe. “Se você quer conhecer o mundo, olhe para si, se você quer conhecer a si mesmo, olhe para mundo”, (R. Steiner).


O EU une os dois mundos e com isso dá sentido à sua existência. 


Este passo é o da qualidade do EU, envolvendo o motivo da obra de arte, acontecendo um movimento interno.

Qual a palavra ou frase interna que brota de dentro do meu ser e que expressa o que estou sentindo ao observar o quadro?


“A mãe com a criança é representada flutuando no ar, descendo de nuvens que rodeiam a Terra, flutuando a partir do indefinido, digamos, do espiritual, do mundo suprassensível; ela está envolta e rodeada por nuvens que, em si mesmas, se assemelham a formas humanas. Uma delas, como que solidificada, parece a criança da Madona. Ao ser representada ali, ela faz nascer em nós sentimentos bem especiais; quando esses sentimentos atravessam nossa alma, podemos esquecer todas as interpretações sob forma de lendas a partir das quais a ideia da Madona se espalhou, todas as tradições cristãs que nos falam sobre a Madona”...


“A imagem da Madona com a criança é o símbolo da espiritualidade interna da pessoa que, certamente, chega à Terra vinda do universo. No entanto, nessa pintura com nuvens que se apartam, está contido tudo o que só pode nascer, ou se desenvolver, a partir do terrestre” (Rudolf Steiner, palestra de 29/04/1919 em Berlin (GA 57, “Onde e como se encontra o espírito”, 16ª palestra, tema: Isis e Madona).

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